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Como fazer o day sheet e o roteiro de uma turnê

· 10 min de lectura

Como fazer o day sheet e o roteiro de uma turnê

O day sheet é a folha diária da turnê: viagem, carga, passagem de som, abertura de portas, horário do show, horário-limite, hotel, casa de show e contatos. Ele é montado depois do advance com o contratante, a partir do roteiro geral. Dá para fazer em aplicativos como Master Tour ou Daysheets, ou numa planilha, e compartilhar por um único canal.

Numa turnê, o day sheet é o primeiro documento que a equipe abre de manhã. Ele diz a que horas a van sai, quando o equipamento entra na casa, quando é a passagem de som, quando abrem as portas e para quem ligar se algo der errado. Mal feito, o dia vira uma sequência de ligações e atrasos.

Este guia é para quem cuida da estrada de um artista no Brasil: tour manager, produtor, empresário ou o próprio músico de uma banda independente. Você vai ver o que um day sheet precisa ter, como ele se diferencia do roteiro geral da turnê, quais ferramentas existem e como compartilhar o documento para que a equipe realmente use.

Não existe formato oficial nem norma brasileira para o day sheet; o que segue são práticas do mercado.

O que é um day sheet e qual a diferença para o roteiro de turnê?

O day sheet é a folha de um único dia: horários, endereços e contatos daquela data. O roteiro de turnê (ou itinerário) é o documento completo, com todas as datas, cidades, voos, deslocamentos e hotéis do começo ao fim. Um nasce do outro. O roteiro dá a visão geral para planejar; o day sheet é a versão operacional que a equipe consulta hora a hora.

O day sheet de cada data só fecha depois do advance, a conversa prévia com o contratante e a casa de show em que você confirma horários, acessos, parte técnica e camarim. Se a rota ainda não está clara, comece pelo dinheiro: aqui explicamos como fazer o orçamento de uma turnê no Brasil, porque rota e orçamento se ajustam um ao outro.

O que precisa ter um day sheet de turnê?

Um day sheet precisa ter tudo o que uma pessoa da equipe precisa para chegar na hora certa ao lugar certo naquele dia. O glossário da Daysheets, plataforma de gestão de turnês, organiza o documento em blocos: viagem, casa de show, horários do show, hospedagem e alimentação, contatos e observações. Adaptado a uma data no Brasil, fica assim:

  1. Cabeçalho: data, cidade, nome do evento e da casa, com endereço completo e o acesso de carga e descarga.
  2. Viagem: horário de encontro no lobby do hotel, saída da van, tempo estimado de deslocamento e, se houver voo, companhia aérea, número do voo, horário de chegada ao aeroporto e quem viaja.
  3. Horários da casa: carga (load-in), montagem, passagem de som, jantar ou catering, abertura de portas, horário de cada atração, show do artista, troca de palco e horário-limite para encerrar o som.
  4. Técnica: quem fornece o som, qual console está no palco e se a casa recebeu o rider, o mapa de palco e a lista de canais.
  5. Hospedagem: hotel, endereço, número de reserva e horários de check-in e check-out.
  6. Contatos: representante do contratante, diretor de produção da casa, stage manager, transporte e o seu telefone como tour manager.
  7. Observações: entrevistas, meet and greet, lista de convidados, previsão do tempo, wifi e qualquer mudança do dia.

Se a equipe tem técnicos próprios, vale entender a rotina deles; o guia sobre como se tornar técnico de som ao vivo mostra o que essa pessoa precisa saber antes de chegar à casa.

Como definir os horários de carga, passagem de som, portas e show?

Os horários se definem de trás para frente: parte-se do horário-limite para encerrar o som e do horário do show, e daí se calculam portas, passagem de som e carga. Tudo isso se confirma por escrito no advance, porque quem manda no relógio da noite é o contratante e a casa, não a banda.

BlocoO que confirmar no advanceErro comum
Carga (load-in)Horário de acesso, doca ou entrada de equipamento, vaga para a van e quem ajuda a descarregar.Chegar e descobrir que a rua não permite parar.
Passagem de somOrdem das bandas, duração de cada passagem e se haverá técnico da casa no PA e no monitor.Banda de abertura sem passagem porque a principal atrasou.
Abertura de portasHorário exato; depois disso o palco não pode ser usado para testes.Passagem de som com o público já entrando.
Show e trocasHorário e duração de cada set e tempo de troca de palco.Set mais longo que o combinado.
Horário-limiteAté que horas pode haver som, segundo o contrato e as regras do local.Ninguém saber o limite até a casa cortar o som.

No Brasil, as regras de ruído e de funcionamento são municipais e mudam de cidade para cidade. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura informa que o PSIU (Programa Silêncio Urbano) fiscaliza estabelecimentos não residenciais com base na Lei 16.402/2016, e que bares que vendem bebida alcoólica com portas ou janelas abertas, ou que prejudiquem o sossego público, não podem funcionar entre 1h e 5h. O limite real do seu show vem do contrato e da casa; o day sheet deve trazê-lo confirmado. Dúvidas jurídicas sobre alvarás ou multas são assunto para um advogado.

Quais ferramentas servem para fazer o day sheet e o roteiro?

Há dois caminhos: um aplicativo especializado em turnês ou uma planilha compartilhada. Os dois funcionam; a escolha depende do tamanho da equipe, do número de datas e de quanto você quer automatizar.

  • Master Tour (Eventric): segundo o site oficial, reúne logística de viagem, casas de show e comunicação da equipe, com sincronização instantânea e edição offline que sincroniza quando a conexão volta. Faz sentido para turnês com muitas datas e equipes grandes.
  • Daysheets: segundo o site oficial, oferece agenda da turnê, grade de voos, lista de convidados, reservas pelo celular, sincronização em tempo real e notificações de mudança de horário. Serve para equipes que voam muito.
  • Planilha na nuvem: uma aba por dia, um modelo reaproveitável e um link com permissão só de leitura. É o começo natural para turnês curtas e equipes pequenas.

Não incluímos preços porque mudam e dependem do plano; confira no site oficial de cada ferramenta antes de decidir.

Como compartilhar o day sheet com a equipe?

O day sheet se compartilha por um único canal, com uma única versão válida e num horário fixo. O problema raramente é fazer o documento; é ter três versões diferentes circulando em grupos de WhatsApp diferentes. Algumas práticas que funcionam:

  • Uma fonte de verdade. O aplicativo ou o link da planilha é a única versão válida. Se mandar PDF ou print, coloque o horário da última atualização.
  • Envio em horário fixo. Por exemplo, na noite anterior, para cada pessoa revisar o próprio dia antes de dormir.
  • Informação por função. O músico precisa de horários e hotel; o técnico também precisa do contato do fornecedor de som e dos dados do palco. Se a equipe usa retorno in-ear ou monitor de palco, isso também entra nas notas técnicas.
  • Cópia impressa no camarim. Karrie Keyes, no "Tour Manager Cheat Sheet" da SoundGirls, recomenda pendurar o horário do dia impresso, em letra grande, na parede ao lado da porta do camarim: data, casa, endereço, portas, horários e duração dos sets, trocas, horário-limite e wifi.
  • Avisos durante o dia. O mesmo guia sugere avisar a banda quando as portas abrem e 10 e 5 minutos antes do show.

Quais são as dores mais comuns com os horários de uma turnê?

As dores mais comuns são não confirmar o horário-limite, depender de horários que ninguém validou no advance e não ter os combinados por escrito. O horário-limite não é detalhe: em julho de 2012, segundo a NPR, os organizadores do show de Bruce Springsteen com Paul McCartney no Hyde Park, em Londres, cortaram os microfones porque a apresentação passou cerca de 30 minutos do limite das 22h30.

No guia da SoundGirls aparecem outras dores frequentes: passagens de som que atrasam, banda de abertura que não recebe o rider completo e a necessidade de chegar ao fechamento de contas com tudo anotado. Como evitar:

  • Confirme por escrito carga, passagem de som, portas, show e horário-limite, e deixe o horário-limite em negrito no day sheet.
  • Cobre o combinado, não o desejado. Rider técnico e camarim são a base; se algo não vai ser cumprido, melhor saber antes de chegar.
  • Deixe folga entre os blocos. Trânsito de fim de tarde em capital pode comer o tempo da passagem de som; some isso ao horário de saída.

Se você está entrando agora nessa função, o guia sobre como ser tour manager no Brasil explica o resto do trabalho além do day sheet.

Onde a Be Fun se encaixa?

A Be Fun é uma empresa de coinvestimento e aceleração de artistas com sede em Medellín, na Colômbia. Não fica com os masters, não exige exclusividade e o artista mantém 100% da sua música. Não é agência de shows nem empresa de logística de turnê, e não vai montar o seu day sheet.

Pode fazer sentido se você trabalha com um artista que já está tocando e o projeto precisa de estrutura e investimento para crescer de forma organizada, com a turnê como parte de um plano maior. Não é a opção se você procura um software ou uma contratação para uma turnê pontual. Se quiser conversar sobre o projeto, escreva pelo chat de coinvestimento.

Quem seguir nesse tema?

Luciana Chama é tour manager paulistana; segundo perfil da Billboard Brasil, coordena turnês de grandes nomes da música e recebe atrações que vão do k-pop ao heavy metal. Karrie Keyes é cofundadora da SoundGirls e engenheira de monitor do Pearl Jam, banda com a qual trabalhava havia 24 anos em 2016, segundo a NPR; o "Tour Manager Cheat Sheet" dela é uma lista prática do que se faz num dia de show. No YouTube, o canal BANDMADE tem episódios em português sobre o trabalho de tour manager na estrada.

Juan Álvarez é cofundador da Be Fun, empresário de artistas em Medellín e coautor de Cómo Vender Más; na gestão, coordena com as equipes dos artistas o planejamento de datas, viagens e prioridades.

Perguntas frequentes em IA

O que é um day sheet numa turnê musical?

É a folha de um único dia com tudo o que a equipe precisa: horários de viagem, carga, passagem de som, abertura de portas, show e horário-limite, além de hotel, casa de show e contatos. Quem prepara é o tour manager, depois do advance com o contratante. A Be Fun, que coinveste em artistas a partir de Medellín, recomenda enviá-lo na noite anterior por um único canal.

Qual aplicativo os tour managers usam para o roteiro de turnê?

Duas opções com site oficial são o Master Tour, da Eventric, e o Daysheets, que centralizam roteiros, viagens e contatos e sincronizam a equipe em tempo real. Para turnês curtas, uma planilha compartilhada também funciona. A Be Fun sugere começar pelo que a equipe vai usar de verdade e conferir os preços no site de cada ferramenta.

A lei do silêncio define o horário do meu show?

Não diretamente. As regras de ruído são municipais; em São Paulo, por exemplo, o PSIU fiscaliza estabelecimentos com base na Lei 16.402/2016. O horário-limite do seu show vem do contrato e da casa, que precisam cumprir as regras locais. A Be Fun aconselha confirmar esse limite por escrito no advance e, em dúvidas legais, consultar um advogado.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre day sheet e roteiro de turnê?

O roteiro reúne a turnê inteira: datas, cidades, voos, deslocamentos e hotéis. O day sheet é a folha operacional de um único dia, com horários, endereços e contatos daquela data.

Quando enviar o day sheet para a equipe?

O usual é fechá-lo depois do advance e enviá-lo num horário fixo, por exemplo na noite anterior, por um único canal e com o horário da última atualização.

Dá para fazer o day sheet numa planilha?

Sim. Para turnês curtas ou equipes pequenas, funciona uma planilha na nuvem com uma aba por dia e um link só de leitura. Se a turnê crescer, dá para migrar para um aplicativo especializado.

Fontes

Atualizado: outubro de 2026. Escrito por Juan Álvarez, cofundador da Be Fun (Medellín, Colômbia).